A arquitetura de Kleber Carvalho

Doação e comprometimento de quem usa o DNA criativo

Arquiteto: Kleber carvalho. Foto por Marcelo Marona

Arquiteto Kleber carvalho. Foto: Marcelo Marona

Envolto a sensibilidade analítica e por vezes crítica no desenvolvimento dos projetos, sempre auferi ao ócio criativo o exercício de amadurecimento; Poder pesquisar e aplicar todos os conhecimentos de forma sistemática tornou-se uma metodologia própria que facilita no melhor resultado e satisfação final. O aprimoramento e o acesso a vários mestres proporcionaram o entendimento da relação das necessidades humanas com a essência criativa, embasando a evolução natural e ascendente da minha trajetória como Arquiteto e Urbanista.

Principiando no universo da arquitetura, em meio a um cenário evolutivo e dinâmico, ainda que menos digital, estreava distante a preocupação e as discussões do que seria a consciência ecológica e seus benefícios. As transformações aconteciam na velocidade das informações, abrolha os celulares, instantaneamente observo que o mundo, os assuntos, os valores… O Homem, de outrora já não existiam. A forma de assimilar norteava para uma conduta de pensar o Humano, consequência natural, uma nova configuração de perceber as necessidades; acontecia mudança efêmera de produzir e decompor a paisagem, os espaços associativos e individualistas numa pseudo-evolução. As dicotomias geopolíticas e as novas ideologias conflitavam-se num cotidiano que tercia para distante um ambiente ecológico e politicamente correto.

Croquis desenhados pelo arquiteto Kleber Carvalho

Croqui desenhado pelo arquiteto

Acontece, abrem-se as portas para a nova era DIGITAL, torna-se um membro, uma consciência, uma dependência, intrínseca ou não a natureza humana, porém presente. “Minha dor é perceber que apesar de termos feito tudo que fizemos… ainda somos os mesmos e vivemos como nossos pais…”, Elis Regina.

 

Projeto Kleber Carvalho: Casa solar

Carta solar de movimento do sol

Auge do mundo on-line, conectado e interligado, surge o grande desafio para Arquitetura e Urbanismo; a produção de espaços para uma sociedade conectada, perto de quem estar longe e distante de quem estar perto. Diferentemente de outra época da história da arquitetura e urbanismo, a cultura adotada colocava como forma perceptiva humana numa relação do Eu, terra para o universo, hoje pelo advento da tecnologia essa afinidade passou por um processo de inversão, as novas gerações (iniciando na X), já observa e administra a relação do universo para terra, numa simbiose onde não existem fronteiras físicas (visão de astronauta).

E Como produzir? E o que Produzir? Existirá uma sociedade? A resposta evidentemente que sim… Porém de um ponto vista, embasado numa sociedade antropologicamente menos capitalista, menos acumulativa; apropriadas apenas da diversidade, das trocas, das relações das pessoas, características já mencionadas pela grande jornalista e autora Jane Jacobs em seu livro “Morte e vida das grandes cidades” a diversidade é e será o oxigênio das cidades, as relações do dentro com o fora, dos encontros, do fim dos muros, das expansões e seus núcleos polarizados, e por fim de espaços, lugares e cidades para as pessoas.

DO PARTIDO, PORÉM CONECTADO, ARQUITETÔNICO

A dualidade de épocas históricas, entre minimalismo do movimento arquitetônico moderno, onde “o menos é mais” e a singularidade do purismo contemporâneo, serviu de inspiração para concepção desse recente trabalho. Analisando as características do microclima local, procurou-se estabelecer uma interação entre a proteção da radiação solar, e o melhor aproveitamento das correntes de ventos predominante, resultando na inserção de grandes áreas sombreadas, trazendo quase que automaticamente um elemento arquitetônico muito eficiente já presente nas antigas casas brasileiras, e bem marcantes no cenário da arquitetura rural, “o alpendre”.  Essa quase releitura do alpendre é recomendada aos profissionais, na obra do arquiteto Armando de Holanda intitulada “Como Construir no Nordeste”, que entre outras cita o uso da ventilação cruzadas, beirais prolongados e a utilização de corpo d’água próximo à edificação no objetivo de refrigerar e melhorar o conforto térmico da habitação.

Dos espaços fluídos, quase que sem barreiras, encontramos o interno abrindo-se para o externo em uma conexão natural e obrigatória, presenteando a necessidade particular do programa; continuada fluidez, a piscina emoldura a residência e abraça todo o lazer contribuindo para o bem estar; Essa transparência coopera para uma plástica leve, do dentro fora e do fora dentro, resumindo numa nova arte do morar.

Por fim, mas não menos importante, o jardim faz uma conexão com o conjunto, contribuído com um paisagismo de espécimes locais, em respeito à flora brasileira.

A IMPLANTAÇÃO

Localização privilegiada e topografia favorável estabeleceu-se a implantação considerando os aspectos naturais e influenciáveis no conforto ambiental da edificação. Tomando como ponto de partida a carta solar, o zoneamento foi concebido, dentro de uma hierarquia de importância e tirando o maior proveito dos elementos como iluminação e ventilação naturais; assim como, respeitando as normas e regras estabelecidas pelos os órgãos competentes.

 

 

CONSTRUÇÃO

Buscando gerar o menor impacto ambiental na implantação da obra, aceitou-se como objetivo do trabalho o tripé da sustentabilidade, que são: Social, Ambiental e Econômico. Social, com políticas de geração de emprego de 10% de mão de obra local, com capacitação e valorização do ser e família, por meio de treinamento em obra, dos direitos humanos e do trabalho, da postura ética e transparente.

Ambiental, na escolha de sistemas construtivos racionalizados com menor índice de desperdício, mesmo que misto. O uso do concreto e aço para superestruturas, da conservação dos recursos naturais e da ecoeficiência dos materiais aplicados, como, por exemplo, o uso de cobogós na utilização de iluminação natural, das telhas termo acústicas como isolante térmico, das placas solares para geração de energia e aquecimento d’água e por meio de pesquisa junto a fornecedor e linha de produção; da gestão dos resíduos, implantando um sistema final de esgoto com estação de reuso da água e a captação pluvial; e finalizando, o Econômico, com o menor custo de implantação e manutenção numa relação equilibrada de custo X benefício.

Ficha Técnica

  • Arquiteto Diretor: Kleber Freitas de Carvalho;
  • Arquitetos Colaboradores: Anderson Silva, Emanuel Barros (Desenvolvimento Técnico), Roberval Cesario Pinto Neto (Novas Tecnologias);
  • Administradora: Nazaré Pereira;
  • Setor De Detalhamento: Ewerton Cavalcante, Manuela Nascimento, Solange Oliveira;
  • Maquete Eletrônica: Alarico Neto
  • (81) 3526.3957 / 9 9972.8997
  • klebercarvalhoarquitetura@yahoo.com.br

“O projeto é o fragmento do sonho do homem expressado no papel.”

Kleber Carvalho