A essência de Bjarke Ingels

Bjarke Ingels – Arquiteto

PorRodrigoCallado

O que é preciso para entrar na lista das 100 pessoas mais influentes do mundo? Para Bjarke Ingels, arquiteto de 43 anos de idade, bastou combinar funcionalidade e hedonismo em projetos ousados. Aclamado por celebridades como Rem Koolhaas, Ingels busca romper com o tradicional e levar a arquitetura a um novo patamar.

O dinamarquês entrou na profissão quase por acaso, queria ser cartunista inicialmente. Mas, seguindo o conselho de seus pais, ingressou no curso de arquitetura para melhorar a habilidade de desenhar. Tomou gosto pela nova área e graduou-se em 1999. Tendo já trabalhado com o vencedor do Pritzker, Rem Koolhaas, no período de 1998 a 2001, Ingels abriu seu primeiro escritório, PLOT, juntamente com Julien De Smed. A dupla encerrou a parceria em 2006. A partir desse momento, Ingels deu início à sua atual empresa, Bjarke Ingels Group (BIG), e sua carreira decolou.

PROJETOS INOVADORES

Na nova fase, ele mostrou como a sustentabilidade pode ser combinada com diversão. A usina Amager Bakke transforma lixo em energia, mas o grande diferencial é o design. Uma pista de esqui com 85 metros de altura estará disponível a partir de 2018. Também será possível escalar a fachada e ainda haverá um parque.

 

Na 8 House, Ingels priorizou a convivência social. O arquiteto define o projeto mais como um “bairro tridimensional em vez de um objeto arquitetônico”, já que, desde o térreo até o topo, rampas e escadas dão acesso aos 150 apartamentos. As residências e o comércio foram projetados horizontalmente, e não em blocos separados. Dessa maneira, os moradores podem fazer o percurso de bicicleta ou a pé e encontrar-se casualmente com mais facilidade. Iluminação natural, a vista e o ar natural do campo são outros atrativos.

“A arquitetura permite, literalmente, criar o mundo onde as pessoas gostariam de viver”, destaca o arquiteto. Possibilidade materializada a partir de um brinquedo icônico, que entretém gerações desde 1934, o Lego. Com 12 mil m² construídos, a Lego House é o novo centro para visitantes da empresa, na Dinamarca. As áreas para brincadeiras no primeiro e segundo pavimento são divididas em zonas vermelhas, azuis, verdes e amarelas. Representam o processo de aprendizagem das crianças.

Também na Dinamarca, Bjarke Ingels encontrou uma solução inovadora para o desafio de respeitar a vista para o Castelo de Kronborg (palco de muitas representações de Hamlet, patrimônio preservado pela Unesco). O BIG projetou o Museu Marítimo Danish – em cinco mil m² – para ser construído no subterrâneo, de maneira a manter intocada a superfície ao redor do castelo. Decisão elogiada pelo comitê que selecionou o vencedor. “Como mágica, o design permite que o visível e o invisível coexistam simultaneamente em um dueto arquitetônico”, disse um dos jurados.

Outros países já receberam projetos de Bjarke Ingels. Nos Estados Unidos, o Via 57 West mistura duas tradições aparentemente opostas, o arranha-céu norte-americano e o espaço de uso comum nos pátios europeus. É considerado um novo conceito, chamado de “courtscraper” – em tradução livre, “arranha-quadra”. Nele, o espectador experimenta mudanças de perspectiva a partir do ponto de vista. Quem olha o prédio pelo oeste enxerga uma pirâmide “deformada”. Pelo leste, o Via 57 West tem a aparência de uma torre.

Inaugurado em 2016, o Via 57 West ocupa 77 mil m² em quase um quarteirão inteiro de Manhattan e possui 137 metros de altura. São 709 unidades residenciais com um, dois, três ou quatro quartos. O prédio oferece um jardim central de 22 mil m², vista para o rio Hudson e um forte conceito de sustentabilidade no consumo de água, energia, uso de materiais, conforto térmico e qualidade do ar.

IDEALISMO PRAGMÁTICO

“Nós temos uma imensa responsabilidade e oportunidade para realmente criar o mundo dos nossos sonhos”, disse Ingels. Desejo que facilmente seria visto como utopia. Porém com tantos projetos e mais de 20 prêmios na carreira, o arquiteto está mais para um idealista pragmático que vê na profissão uma forma de trazer novo significado para a vida das pessoas.

“Acredito que a arquitetura precisa ser reinserida como algo no qual as pessoas estejam interessadas, algo importante para a sociedade”, opinou.  Essa necessidade tem origem na história recente. Segundo ele, o período pós-guerra trouxe urgência por construir novas residências para uma demanda reprimida.

Porém, de acordo com Ingels, muitas dessas tentativas foram mal-sucedidas, levando a ambientes urbanos monótonos. “Acho que o mundo em si e a arquitetura perderam confiança nela mesma, ela meio que se isolou em diferentes discursos acadêmicos como pós-modernismo, desconstrutivismo, etc.”, justifica.

Atualmente, Bjarke Ingels Group possui projetos em andamento no Reino Unido, Taiwan, China, Canadá, México, Alemanha, Suécia, entre outros países. Para seu antigo chefe, Rem Koolhas, Bjarke Ingels é “a encarnação de uma nova tipologia de pleno direito que responde perfeitamente ao atual zeitgeist [espírito da época]”. Arquitetura idealizada para uma vida melhor.

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