Mostra de artesanato reúne produção de Macaparana e Paulista

Repetindo a parceria que, em setembro de 2009, deu visibilidade ao trabalho de artesãs de Camaragibe, o Sebrae em Pernambuco, o Centro Pernambucano de Design e a Carlota Comunicação, através do Coletivo Pernambucano de Promoção do Design Social (+D), trouxeram a público a mostra “PE é POP”.O evento, que reuniu o resultado da intervenção de design no artesanato dos municípios de Macaparana e Paulista, ficou em cartaz no período de 22 de janeiro a 1º de fevereiro, no Plaza Shopping, no bairro de Casa Forte.

A iniciativa é fruto do trabalho realizado pelo Sebrae e pelo Centro Pernambucano de Design, por meio de oficinas de design e de desenvolvimento de produtos, com artesãos dos dois municípios pernambucanos. O evento de lançamento dos novos produtos, apresentados em primeira mão ao público, buscou divulgar a produção desenvolvida por esses artistas, valorizando-a e facilitando a posterior comercialização dos artigos, vendidos sob encomenda.

Os trabalhos expostos na mostra “PE é POP” foram fabricados pela Associação Paulistense Artesanal e Cultural (Apartec), que trouxe a coleção “Maracatu Pop”, inspirada no caboclo de lança, e pela Associação Mista dos Artesãos de Macaparana (Amam), que apresentou a linha baseada nas cores das orquídeas. Os dois grupos buscaram apoio do Sebrae para qualificar e melhorar os produtos fabricados. A entidade, por sua vez, contratou o Centro Pernambucano de Design, responsável pelo diagnóstico e pela orientação com foco na inovação e no mercado. As peças trabalhadas foram expostas num espaço de aproximadamente 50 m², em layout idealizado pela Carlota Comunicação, que também foi responsável pelas peças gráficas e coordenação da exposição.

Os artesãos também participaram de cursos, oficinas e consultorias sobre gestão, associativismo e preços de venda, entre outras, para que profissionalizassem sua produção e comercialização. Segundo a diretora técnica do Sebrae em Pernambuco, Roberta Correia, a exposição foi uma excelente oportunidade de divulgar o trabalho desenvolvido pelos artesãos, trazendo um valor agregado aos produtos, além de mostrar que é possível utilizar as peças na decoração. “O grande diferencial desse evento foi a possibilidade que tivemos de unir gestão, cooperativismo, design social e decoração numa só ação”, disse. “Ações como essa levantam a auto-estima dos artesãos”, completou o superintendente da instituição, Nilo Simões.

A artesã e presidente da Apartec, Verônica Rodrigues, declarou que, por meio dessa exposição, os produtos tenham um maior reconhecimento e que, assim, cresça a produção a partir das encomendas geradas com a mostra. A vice-presidente da Amam, Maria do Amparo da Silva, concordou com a colega e ressaltou que a expectativa é de que, além de obter a aprovação do público, sejam realizadas diversas encomendas.

Antes de participar da capacitação, a renda mensal da associação de Paulista era de R$ 300 por artesã, com a produção de vários tipos de artesanato. A expectativa é de que, com o lançamento dos novos produtos, a produção por mês seja de 30 peças, número que pode variar dependendo do tamanho e da complexidade. Já na Amam, a renda mensal era de R$ 150 por artesã e a produção de cinco peças por artista. Após a intervenção, a meta é chegar, em média, à fabricação de 10 produtos por artista, de acordo com tamanho e tipo de crochê.

Apartec – Há quatro anos trabalhando com o artesanato popular, o grupo Ateliê Costurando Arte, de Paulista, deu uma guinada em sua trajetória quando, no início de 2009, conheceu e começou a trabalhar com o Patchwork. De feliz descoberta a carro-chefe do grupo, formado por 20 mulheres, foi um pulo. A produção, antes pulverizada, sem identidade visual e marca definidas, transformou-se.

Após a realização de uma oficina de design de produto para o mercado, promovida pelo Centro Pernambucano de Design a partir de uma ação programada pelo Sebrae, o grupo descobriu a importância de agregar o design à sua arte. O resultado não poderia ser diferente: produtos mais modernos, com identidade cultural, aptos a entrar no mercado em condições de disputar a atenção e a preferência dos consumidores, graças a seu valor agregado.

Entre os itens fabricados com a técnica da costura em retalhos estão mandalas, almofadas, tapetes e pufes, caracterizados pela estamparia própria, com a marca do grupo: “Ateliê costurando arte”. A primeira coleção chega ao mercado com a inspiração em um dos elementos mais belos e coloridos da cultura popular pernambucana: o Maracatu Rural. O preço das peças para o consumidor final varia de R$ 30 a R$ 250.

Amam – Foi pelo artesanato de tradição, que é feito com a técnica do crochê, utilizando o cordão natural do algodão – matéria-prima em abundância no estado de Pernambuco – que a cidade de Macaparana ganhou evidência no segmento do mercado artesanal.

Buscando valorizar e modernizar a produção da Associação Mista dos Artesãos de Macaparana, o Centro Pernambucano de Design desenvolveu, em 2008, também em parceria com o Sebrae e a Prefeitura de Macaparana, uma oficina de design. O trabalho culminou com a criação de novos produtos, cujo diferencial é a qualidade e o foco no mercado. Em 2009, foi desenvolvida a segunda coleção, composta por dez peças – criadas a partir da utilização de novas técnicas e novo design de produtos.

A associação trabalha especialmente com o crochê, produzindo pufes, porta-guardanapos, jogos americanos, entre outras peças. Os itens custam entre R$ 30 e R$ 80. Esta nova coleção foi baseada na Pop Art, na cultura local e no uso de orquídeas. A escolha foi em função da alegria e energia que esses elementos transmitem. As peças, que possuem caráter utilitário e decorativo, vão desde o crochê tradicional, passando pelas técnicas 3D e freeform, sempre com cores alegres, joviais e vibrantes.

Serviço:

Associação Paulistense Artesanal e Cultural (Apartec)

Rua Arthur Heleno de Souza – 330

Janga / Paulista-PE

(81) 3434.7283

Praça da Bandeira – s/n

Centro / Macaparana-PE

(81) 9623.6301