Restaurante Oleiro, na Zona Norte, é brasilidade pura

Nova casa propõe a valorização de ingredientes locais com preparações de rigor técnico.

Por: Edi Souza, da editoria Sabores

Longe de ser apenas um novo restaurante, o Oleiro Cozinha Artesanal avança na experiência de mostrar a gastronomia como um feito compartilhado. É levar à mesa um prato que alimenta a cadeia produtiva local, repleto de ingredientes brasileiros, e fazer o visitante perceber naquele momento que ele também é parte do processo. Como o próprio nome diz, uma proposta inspirada no ofício de quem consegue transformar o produto bruto em algo encantador.

Projeto ousado nas mãos dos sócios Manoelzinho Fernandes, Thiago Vita e Claudemir Barros. Em poucos meses, eles organizaram a operação, onde funcionava o antigo Prouvot, no Parnamirim, e idealizaram junto ao escritório FM Arquitetura um espaço condizente com a mensagem da cozinha. Por todos os lados, peças de barro assinadas por artistas locais reafirmam a identidade sertaneja em meio a tons terrosos e iluminação aconchegante. Linguagem afetiva, que se estende ao enxovalcom jogo americano de renda e pratos de barro preto, confeccionados por dona Terezinha, da Olaria Gonzaga, no Alto Do Moura.

Cenário para a comida se destacar pelo seu conjunto da obra. Seja pela valorização de ingredientes como chuchucajufruta pão e maxixe, fornecidos por pequenos produtores, até as técnicas que Claudemir não abre mão de aplicar. Pesquisador, ele entende que certos ingredientes vão além da cozinha de subsistência e devem, sim, ganhar espaço ao lado dos itens de status. Na lista de entradas, por exemplo, o atum tipo exportação segue o mesmo processo de salga e cura usado pelo colega André Saburó. Sai brilhante e acompanhado por lascas de tapioca sequinha (R$ 35). Não menos marcante que as fatias de queijo de coalho defumado estruturando o carpaccio brûlleé no azeite (R$ 25).

Costela suí­na sobre musseline de castanha brejeira

Costela suína sobre musseline de castanha brejeira – Crédito: Wagner Ramos/Divulgação

“Mesmo sendo uma paixão antiga, esse trabalho ainda pode parecer novo para muita gente e a boa repercussão tem sido uma resposta”, diz o chef sobre o desafio de lidar com um cardápio tão inclusivo. A sutil intenção de provocar, surge de principal em opções como a costela suína sobre musseline de castanha brejeira, mais fatias de jerimum assado e roti de mel de engenho (R$ 45). Tão robusto quanto o peixe do dia recheado com camarão grelhado na palhavatapá de jerimum e farofa de amendoim (R$ 59) ou nos pratos que levam tucupi, ossobuco cozido e cordeiro de sol na brasa. Quem estiver aberto, vale ir sem medo no menu degustação de três ou cinco etapas com possibilidade de harmonização.

Reforço de peso

A presença do maître Otoniel Abílio revela que o serviço de salão e da carta de vinhos, é clássico e atencioso. Sua experiência em casas de peso reforça o capricho do Oleiro ao lado da chef Sofia Mota. Ela, por sua vez, criou sobremesas elegantes e distintas entre si, levando em conta a brasilidade do lugar. Vai da leveza de uma torta de banana nanica com sorvete de doce de leite (R$ 22) até a complexidade de uma cumbuca preenchida por creme de cupuaçu, mais paletas de suspiro de chocolate, musse de chocolate com café, castanha-do-pará e crocante de café torrado (R$ 25). É felicidade abastecida com sucesso até a próxima refeição.

Salão reserva espaço para a arte regional

Salão reserva espaço para a arte regional. Foto: Wagner Ramos/Divulgação

Tartar de atum

Tartar de atum. Foto: Wagner Ramos/Divulgação

Carpaccio de queijo de coalho

Carpaccio de queijo de coalho. Foto: Wagner Ramos/Divulgação

Brûleé de caju

Brûleé de caju. Foto: Wagner Ramos/Divulgação

Claudemir Barros

Claudemir Barros. Foto: Wagner Ramos/Divulgação

Sofia Mota

Sofia Mota. Foto: Wagner Ramos/Divulgação

Fonte: FolhaPE