OS DESAFIOS DA SUSTENTABILIDADE

O ano de 2020 foi um agente modificador e estruturador de alguns projetos importantes. Dentre eles, nascido no Recife, da iniciativa de Isabel Nascimento, empresária e articuladora social, o Love Trash.

O projeto ainda embrião já fazia parte do olhar atento de Isabel para o bem estar dos indivíduos e claro, do planeta. Com o viés da sustentabilidade, o movimento nasceu dentro da empresa a partir dos resíduos de descarte e se organizou com muita vontade de fazer a diferença. Ainda vamos falar muito sobre a Love Trash e acompanhar seu desenvolvimento. Num bate-papo, a empresária nos conta um pouco.

O QUE DESPERTOU O SEU OLHAR PARA A CAUSA DA SUSTENTABILIDADE?

O que despertou meu olhar foi a lente da indignação com a transferência de responsabilidade. Isso tem tornado várias situações insustentáveis, como a do acúmulo de lixo, que parte da ausência de pequenas atitudes da sociedade.

QUAL FOI O PONTO DE PARTIDA PARA A CRIAÇÃO DO MOVIMENTO?

Acredito que os movimentos nascem a partir de pequenos experimentos. Assim também aconteceu com a Love Trash. O desafio inicial era conseguir abraçar duas grandes problemáticas ao mesmo tempo, de forma produtiva e sustentável. Destinar corretamente o resíduo têxtil da Arbor Cortinas e unir esse aspecto de responsabilidade ambiental à parte social. Como já doávamos para o IASDOC PE, começamos a produzir de forma amadora com as idosas da comunidade, desde 2014. Decidimos que poderíamos trabalhar de forma mais atuante e produtiva formando uma escola profissionalizante, que traria empregabilidade e transformação social, através do que é descartado e considerado lixo para tantos.

Os frutos da Love Trash tem uma missão educativa, que envolve uma transformação a partir da mudança da cultura do descuido, que está inserida em nossos hábitos. Mas acreditamos que a LT será um lugar para que todos possam exercer um papel importante no que diz respeito a civilidade.

COMO O BRASIL, EM PARTICULAR O ESTADO, SE RELACIONA COM O TEMA DA SUSTENTABILIDADE?

Acredito que vivemos a era da superficialidade em muitos aspectos e os temas são abordados em redes, mas os problemas permanecem ali, sem soluções práticas. Um joga para o outro e cobra aquilo que não prática dentro da sua própria casa.

Gosto da definição de sustentabilidade da ONU que diz mais ou menos assim: “É o atendimento das necessidades das gerações atuais, sem comprometer a possibilidade de satisfação das gerações futuras.” Mas eu pergunto, em um mundo tão egocentrista, as pessoas estão preocupadas com as outras gerações?

Eu vou tomar o meu banho e passar um tempo relaxando, então me importo se outras pessoas não tem água? Eu vou comprar essa comida toda e se sobrar eu jogo no lixo ou vou jogar meu lixo todo misturado sem me interessar para onde ele vai?

Só seremos sustenteis quando deixarmos de fazer para nós mesmos e passarmos a fazer com o outro e para o outro.

QUAL O PROJETO PARA O DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL DO MOVIMENTO?

O projeto é fazer com que várias pessoas desejem ser agentes Love Trash e além de fazer algo, também consumam conteúdo e produtos educativos. Quando uma pessoa compra um produto Love Trash, está investindo da capacitação e profissionalização de mulheres que, de certa forma, são descartadas pela sociedade. A maior parte delas, não teve oportunidade de estudar porque precisavam trabalhar ou criar filhos que nascem ainda na sua adolescência.

Hoje elas estão tendo essa oportunidade, a cada dia nos surpreendemos com a dedicação e desejo de aprender. A todo momento nos deparamos com muitos talentos incríveis que ficam atrás das cortinas da cidade.

O QUE VEM PELA FRENTE?

A Love Trash convida cada pessoa a Ser verbo, fazendo algo no sentido educativo diariamente. Desejamos fortalecer os muitos braços que irão ajudar as pessoas a darem o primeiro passo. Estamos abertos para receber ajuda de empresas parceiras que queiram se unir a causa, para ter mais equipamentos e profissionais que torne possível, formarmos mais mulheres.

O tempo desafiador sempre nos convida a caminhar em lugares desconhecidos e desconfortáveis. Nessa jornada aprendemos a sentir outras sensações, viver emoções e ser desconstruídos, para que o novo possa nascer.

A Love Trash nasce como o fruto da esperança, em um ano que nos deixa lições que exemplifico com trechos de duas músicas que vieram agora em meu pensamento.

“É preciso amor pra poder pulsar

É preciso paz pra poder sorrir

É preciso a chuva para florir…”

Almir Sater

“Depende de nós

Se este mundo ainda tem jeito

Apesar do que o homem tem feito

Se a vida sobreviverá”…

Ivan lins

A lição é antiga mas talvez esquecida por muitos e reacendida agora. Amemos uns aos outros.

O conceito estrutural é formado por Isabel Nascimento que fica na gestão (administração), Marilene Monte com a gestão de pessoas (RH), Sara Régia nossa gestora da educação e temos no IASDOC o apoio não só físico, mas também consultivo e construtivo, por parte das irmãs medianeiras da paz, que estão na comunidade desde a década de 1970.

Serviço:

@sejalovetrash